Descobrindo a Cabala

A definição de Cabala (ou Kabbalah) é bastante complexa, dada a antiguidade e a pluralidade de suas raízes. Vamos trata-la aqui em termos de uma linguagem espiritual que ganha forma durante, principalmente, o período medieval ocidental. Conceptualmente, trata-se do estudo da totalidade da existência, da totalidade do Universo, uma vez que as ciências de estudo da realidade, direta ou indiretamente, dialogam e se inserem no conhecimento mais amplo da Cabala. O objetivo maior é a compreensão do ser humano, a compreensão do sentido de sua existência, tanto no plano individual, quanto no plano cosmogônico. Através do estudo e de práticas meditativas busca-se ampliar o nível de percepção e compreensão da realidade para que o objetivo anteriormente colocado seja alcançado. É um caminho diário e contínuo, pois a tarefa ultrapassa o tempo de uma vida humana. Na verdade, o que se busca essencialmente não é a execução de práticas em si ou a leitura de volumes e volumes de obras, mas sim a ampliação da nossa consciência com a consequente melhoria de nosso ser. É uma semente de longa germinação e que exige cuidados diários.

Existem dois grandes campos dentro da Cabala: a Cabala Extática, voltada para o sentido da existência humana, mais focada no trabalho de autoconhecimento, de autocompreensão; a Cabala Teosófica que é mais antiga e mais tradicional, que discute os aspectos cosmogônicos da existência. Historicamente, insere-se numa matriz inicial judaica que, posteriormente, é recebida e recriada dentro dos movimentos gnósticos europeus, dialoga com a Alquimia, é reformulada por grandes pensadores cristãos do Renascimento, evoluindo para o que hoje se concebe como Kabbalah Hermética estruturando as Ordens Iniciáticas da Época Moderna e Contemporânea. Então, o mais correto é tratarmos em termos de diferentes abordagens dessa linguagem espiritual que perpassa toda a história humana ocidental.

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